sexta-feira, junho 15, 2018

global

me ensinaram
que o mundo
é gigantesco

assim o vi
nas tvs, revistas
e enfim nos computadores

com os anos de vinda
a velhice me alertou:
onde estariam as imagens verdadeiras?

por que tão rápidas
angustiantes e mórbidas?
por que simplesmente 
não passam por mim
e deixam o espírito em paz?

aprendi também
e o tempo me ensinou
a ignorá-las, ou tentar

e passando 
sem ver o tempo
das notícias de vidas
que também passaram
mais me alienei dos signos
disfarçando o mundo
numa roda gigante

na pequena cabine
uma namorada
me sorri diletante
e quando a ouço
Yann ao piano
vejo
a cidade do alto
da ponta e do fundo
numa distância irreparável
de um mundo onde disfarcei a dor
para sentir menos 
menos arrependimento 
de estar só
ou de estar pouco

a insuficiência
relutante em compreender
que tudo é muito e demais

e a desgostosa onipresença
de esperar na megalomania
pelos encontros 
eles jamais aconteceriam

uma dúvida cabal
se estaria feliz
noutro lugar
noutra pessoa
noutro instante

imaginando subterfúgios
de uma expectativa fabulosa
imagens que não acreditei
e me perseguem ainda hoje
com a pujante certeza
de que ninguém escolhe
onde vai estar
e de que ninguém lembra
quando se perdeu