Há quanto tempo, não, pessoal? Hoje, apareço por aqui para relatar um fato que ocorreu comigo ano passado, de grande importância simbólica. Foi um ato estudantil, ocorrido na cidade de São Luís, como forma de protesto em relação ao desamparo promovido pelo MEC sob o Exame Nacional do Ensino Médio de 2009. Nunca pensei que relataria esse caso em meu blog. Mas, ele se faz necessário para puxar uma reflexão essencial, que descobrirão logo, caros leitores.
Para começar, a produção de uma notícia sobre tal assunto me motivou a imaginá-lo aqui, neste ambiente. Tudo culpa de uma cadeira do meu curso, cuja exigência me abriu um arquivo que já começava a dar ares de "meio empoeirado". Pois bem, a professora solicitou um noticiamento de algo vivido pelos alunos e assim, saiu essa história em forma de bugiganga. Um acontecimento contado em pouquíssimas linhas:
Revoltados com ENEM, “estudantes-palhaços” vão às ruas
Aconteceu, na segunda-feira, dia 5 de outubro, a manifestação estudantil mais expressiva do ano de 2009. Aos gritos, em plena Avenida Colares de Moreira, alunos de diversas escolas públicas e particulares de São Luís protestaram contra o adiamento do ENEM e a falta de organização do exame que lhes derrubou as expectativas.
Munidos de apitos, cartazes e frases de efeito como “Aço, aço, aço, estudante não é palhaço”, os jovens pararam o trânsito em frente ao Tropical Shopping. Sob um sol de rachar e o risco de atropelamento, se mantiveram numa das faixas de pedestres mais movimentadas da cidade. Insatisfeitos, os pré-vestibulandos queriam apenas maior apreço pelo sistema de segurança do teste, com participação efetiva da Polícia Federal.
Eu estava lá, usando um daqueles narizes característicos e gritando por um direito meu e de qualquer estudante brasileiro.
Técnicas da Notícia: Jornalismo - UFMA
Após a leitura, vocês já devem ter uma ideia das circunstâncias construídas pela situação. Como uma narrativa mais imparcial, ela tinha o objetivo de localizar vocês ante os meus futuros "blá-blá-blás". Esse, como devem ter percebido, foi um ato de revolta estudantil poucas vezes visto por nossa geração do MEGA século. Mesmo com menos de 30 pessoas em batalha, numa das avenidas mais movimentadas da cidade, os alunos se fizeram de alguma forma presentes e fortes. Algo incomum por aqui.
Falando a verdade, eu nem ia à essa manifestação. Foi através de uma amigona minha que tive a sorte de vivenciar tal acontecimento. Ela me convidou e fui, na manhã da segunda-feira (perdi aula! HAHA), lá ao São Francisco. Inicialmente, achei que tudo aquilo era "balela" e não resultaria em nada: poucas pessoas, instrumentação nada gritante, etc. Contudo, após o início do protesto, comecei a perceber que a vontade daqueles estudantes era realmente deixar uma marca, exibir as insatisfações mais intrínsecas quanto ao que nos incomodava. A partir de então, observei com outros olhos toda aquele acontecimento. Os jovens ali presentes transformaram tudo o que tinham em mãos num grande armamento contra a pouca vergonha dos símbolos e mecanismos do governo.
Pois é, passamos boa parte da manhã na faixa de pedestres, enquanto pessoas e veículos passavam (apoiando ou criticando), a imprensa cobria e muita movimentação ocorria, tudo isso em nosso entorno. A mídia acabou propagando o acontecimento, sendo que apareci com os estudantes em diversos jornais (impresso, televisivo, etc.). Houve uma boa repercussão nos dias que se seguiram após o protesto. Isso fez com que muitos colegas meus ficassem sabendo que eu estava lá. A verdade é que, da minha escola, eu fui o único a comparecer. Ninguém se interessou em ir dar "a cara à tapa", muitos estavam num verdadeiro "bem-bom" acontecesse o que acontecesse (outros não sabiam ou não puderam ir).
Acabei comparecendo à escola somente dois dias depois do ocorrido. No momento em que cheguei, deu-se início a algazarra. Muitos vieram falar que eu tinha aparecido na TV com aquele nariz de palhaço e "não sei mais o quê". Outros tiraram sarro da minha cara, apenas com brincadeiras. Entretanto, foram poucos os que levaram a questão a sério - nem alguns dos próprios professores viram a coisa como uma representação simbólica de nossa situação. Enfim, acabou que colaram uma imagem minha tirada de um jornal (eu estava com um grande nariz de palhaço) em nosso mural, que, inclusive, até peguei para guardar de lembrança, mas tristemente perdi :( . Haha!
A reação demonstrada por alguns dos meus ex-colegas de classe é a da maioria de nossos contemporâneos. Quase ninguém quer se arriscar, batalhar pelos seus direitos ou simplesmente exercer a sua liberdade de expressão, alegando que movimentos que abordam essas necessidades são de faixada, comuns às pessoas vagabundas - que não tem o que fazer (foi mais ou menos essa a imagem com a qual fiquei). Ouvimos muito isso enquanto estávamos nas ruas - pessoas que passavam nos chamando de sem vergonhas faziam algo aparentemente comum naqueles instantes (de tanto termos escutado!).
Vivemos numa era onde boa parte das pessoas é acomodada, em que dificilmente há união pela luta dos próprios direitos. A ideologia capitalista presente chegou a tal ponto, que agravou a natureza egocêntrica do homem. Mesmo vivendo em sociedade e dependendo uns dos outros, nós evitamos a conjunção em prol de causas comuns. Às consideramos, por várias vezes, arriscadas e sem sentido. Nesse momento, acabamos perdendo a nossa cidadania, sentando na cadeira do comodismo e fechando as portas na cara dos direitos essenciais, tudo pelo medo e desinteresse. É verdade que é opção de cada um querer ou não se manifestar sobre algo, mas também é verdade que as consequências das indiferenças de muitos atinge a todos os cidadãos. Se escolhemos deixar as coisas de lado não prejudicamos somente nós mesmos, mas um punhado de gente que está sozinha batalhando pelos direitos de todos!
"É melhor deixar do jeito que está!", "Ah, isso não vai adiantar!", "Eu?? Eu não vou perder meu tempo!". Essas são frases que já cansei de ouvir por parte de diversas pessoas. Infelizmente, de muitos jovens brasileiros (inclusive eu já me peguei falando isso). Acontece que, quando certo movimento não nos interessa acabamos nem ligando para o que ocorre ao nosso redor. É como se o mundo fosse lacrado e passasse em branco, interessando-nos apenas o que selecionamos para viver.
Não vim aqui com a intenção de dar lição de moral a ninguém. Não falo de como devemos ou não agir. Estou apenas expondo uma chaga que é presente em nossa sociedade e da qual eu também faço parte. Não aguento mais essa hipocrisia de que os estudantes lutam pelo que os interessa - pouquíssimos o fazem. Mergulhamos numa cultura de apaziguamento típica da vivência portuguesa inserida desde os tempos coloniais: "Está tudo ótimo, PERFEITO!". Isso não é nada bom, porque enquanto vivermos dessa maneira irão continuar "pintando e bordando" com nossos direitos inegáveis.
Eu estou realmente cansado de tudo isso, de olhar grandes talentos mergulhados na indiferença com o mundo que os cerca. Fico triste, também, por muitas vezes agir da mesma forma. Essa falta de compromisso social vinda de todos acaba sendo constituinte do país que temos como nação . Um Brasil de injustiças, infidelidades e infinitos "INs". Para poucos, os estudantes que se manifestavam em frente ao Tropical faziam algo de real importância. Para a maioria, não passávamos de "jovens palhaços". É desestimulante, mas é a verdade.
É por aqui que chego ao que realmente nos interessa: a passividade de boa parte da juventude e população brasileiras.
A reação demonstrada por alguns dos meus ex-colegas de classe é a da maioria de nossos contemporâneos. Quase ninguém quer se arriscar, batalhar pelos seus direitos ou simplesmente exercer a sua liberdade de expressão, alegando que movimentos que abordam essas necessidades são de faixada, comuns às pessoas vagabundas - que não tem o que fazer (foi mais ou menos essa a imagem com a qual fiquei). Ouvimos muito isso enquanto estávamos nas ruas - pessoas que passavam nos chamando de sem vergonhas faziam algo aparentemente comum naqueles instantes (de tanto termos escutado!).
Vivemos numa era onde boa parte das pessoas é acomodada, em que dificilmente há união pela luta dos próprios direitos. A ideologia capitalista presente chegou a tal ponto, que agravou a natureza egocêntrica do homem. Mesmo vivendo em sociedade e dependendo uns dos outros, nós evitamos a conjunção em prol de causas comuns. Às consideramos, por várias vezes, arriscadas e sem sentido. Nesse momento, acabamos perdendo a nossa cidadania, sentando na cadeira do comodismo e fechando as portas na cara dos direitos essenciais, tudo pelo medo e desinteresse. É verdade que é opção de cada um querer ou não se manifestar sobre algo, mas também é verdade que as consequências das indiferenças de muitos atinge a todos os cidadãos. Se escolhemos deixar as coisas de lado não prejudicamos somente nós mesmos, mas um punhado de gente que está sozinha batalhando pelos direitos de todos!
"É melhor deixar do jeito que está!", "Ah, isso não vai adiantar!", "Eu?? Eu não vou perder meu tempo!". Essas são frases que já cansei de ouvir por parte de diversas pessoas. Infelizmente, de muitos jovens brasileiros (inclusive eu já me peguei falando isso). Acontece que, quando certo movimento não nos interessa acabamos nem ligando para o que ocorre ao nosso redor. É como se o mundo fosse lacrado e passasse em branco, interessando-nos apenas o que selecionamos para viver.
Não vim aqui com a intenção de dar lição de moral a ninguém. Não falo de como devemos ou não agir. Estou apenas expondo uma chaga que é presente em nossa sociedade e da qual eu também faço parte. Não aguento mais essa hipocrisia de que os estudantes lutam pelo que os interessa - pouquíssimos o fazem. Mergulhamos numa cultura de apaziguamento típica da vivência portuguesa inserida desde os tempos coloniais: "Está tudo ótimo, PERFEITO!". Isso não é nada bom, porque enquanto vivermos dessa maneira irão continuar "pintando e bordando" com nossos direitos inegáveis.
Eu estou realmente cansado de tudo isso, de olhar grandes talentos mergulhados na indiferença com o mundo que os cerca. Fico triste, também, por muitas vezes agir da mesma forma. Essa falta de compromisso social vinda de todos acaba sendo constituinte do país que temos como nação . Um Brasil de injustiças, infidelidades e infinitos "INs". Para poucos, os estudantes que se manifestavam em frente ao Tropical faziam algo de real importância. Para a maioria, não passávamos de "jovens palhaços". É desestimulante, mas é a verdade.
Bem, falei aqui de algo que me incomodava sinceramente. É uma lástima continuar vivendo e vendo uma civilização crescer ao lado do oportunismo, da indiferença social, da troca de favores e da desigualdade de direitos. Dei importância para esse fato, por ele se referir a um dia atípico no cotidiano brasileiro e, mais especificamente, maranhense. Ainda teremos que torcer muito por mais protestos como esses, no mínimo.
P.s.: Chego ao fim desse texto permeado por uma verdadeira correria. Trabalhos, provas, grupos de pesquisa, etc. Peço desculpas mais uma vez e, pessoal, prometo que vou tentar movimentar mais isso aqui. Faz um tempão que não atualizo, é dever meu não deixar que nossa interlocução se interrompa.
Cada vez mais a redoma se fecha. A população não quer mesmo compromisso - a responsabilidade social que se dane!
P.s.: Chego ao fim desse texto permeado por uma verdadeira correria. Trabalhos, provas, grupos de pesquisa, etc. Peço desculpas mais uma vez e, pessoal, prometo que vou tentar movimentar mais isso aqui. Faz um tempão que não atualizo, é dever meu não deixar que nossa interlocução se interrompa.
P.s. 2: Mudando de assunto, se alguém tiver um jornal "Aqui Maranhão" desta época, eu gostaria de pedir a foto contida nele - foi a que perdi. HAHAHAHAHAHA! Gostaria de tê-la para guardar de lembrança esse momento marcante, não só da minha vida, mas da de muitos estudantes maranhenses, contemporâneos meus.
Abraços ai, pessoal! E até a próxima! o/


Olá, Tiago, estou seguindo seu blog, que achei muito bom. Quero lhe convidar para seguir o meu também, e emitir sua opinião sobre o que escrevo, ok?
ResponderExcluirwww.encontmarcado.blogspot.com