Sentado na calçada de casa, à noite, Artur chora. Seu tio abre o portão e vê a criança sozinha. Fica incomodado com o isolamento do sobrinho. E logo se senta ao lado.
- Filho, o que foi? Por que tu tá chorando?
- Nada, tio. Só tô triste.
- Isso eu sei, tu acha que eu não ia saber? Mas alguma coisa tem aí.
- Não tem, não...
- Tem, sim. Conta pro tio, vai. É por causa do teu primo?
- Não queria ser menino. - Artur chora e abaixa a cabeça - Preferia ter nascido menina!
O tio, sem reação, vê Artur chorar. Entre os dois há um silêncio cheio de sinais. Artur está sozinho, preso ao corpo e às condições que lhe foram impostas. É menino, será sempre menino. O tio não dá outra escolha.
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