terça-feira, julho 15, 2014

Gravidade

Caminhava com velocidade pelas ruas de paralelepípedos. Olhares lhe eram unânimes, dilacerando o corpo esbelto, escondido num longo vestido azul-seda.

O século XVIII, àquela altura, soava como um impropério aos desejos vis e carnais dela.

Apenas não sabiam, e sequer constava nas rodas infames e machistas da nobreza ludovicense, que aquela bela mulher não continha bondade alguma. Os cachos loiros e esvoaçantes como o vento escondiam as agressivas caminhadas, reduto de seu temperamento amaldiçoado.

Numa celeridade sufocante, pouco perdia tempo com troca de olhares. Sua segurança estava na indiferença ao trotear de cabeça reta, nunca titubeante.

O som dos sapatos ecoava pelas ruas.                                          Toc, toc. Toc, toc.

Sentia-se segura ao pisar com todo ódio, crente de que o chão pudesse quebrar.

E quebrava a si mesma, sozinha, no peso demoníaco dos derradeiros passos.

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