olho
pros lados
vejo
vácuos
abismos
bizarros
vagalumes
vazios de luz
perguntaram
se aqui morei
se aqui
alguém mora
respondi
não sei
responderam
então não morei
pelos cantos
procuro
lugar
na terra / um chão
será
um território?
considero
pouco provável
gostaria
da pouca
agonia
de não precisar
de teto
meu teto
que teto?
teto pra quem?
pra mim, ego?
ego de alguém?
estou farto
enfartei
meus passos
desterritorializados
partidos
mil pedaços
andei por onde
se partiram
mais mil quebrados
me contem
que moramos
todos juntos
e ninguém
divide espaço
que digamos
lado a lado
tô cansado
de olhar para trás
e procurar por mim
um lugar para voltar
agora
sinto que vai
se esvai
esvaindo-se de mim
um lugar
que já não tinha
nunca tive
ilusões
aqui era
lar,
doce bosta
de lar
ou aqui era
de onde
jamais sai
pequeno?
das quatro
paredes
faço seu
meu sufoco
vou embora!
já não tenho
lugar algum
e parti
me parto
até parir
um mundo
inteiro
pra onde
voltar
nunca
seja
tarde
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