quinta-feira, janeiro 15, 2015

Sufoco

olho
pros lados
vejo
vácuos

abismos
bizarros
vagalumes
vazios de luz

perguntaram
se aqui morei
se aqui
alguém mora

respondi
não sei
responderam
então não morei

pelos cantos
procuro
lugar
na terra / um chão

será
um território?
considero
pouco provável

gostaria
da pouca
agonia
de não precisar
de teto

meu teto
que teto?
teto pra quem?
pra mim, ego?
ego de alguém?

estou farto
enfartei
meus passos
desterritorializados

partidos
mil pedaços
andei por onde
se partiram
mais mil quebrados

me contem
que moramos
todos juntos
e ninguém
divide espaço
que digamos
lado a lado

tô cansado
de olhar para trás
e procurar por mim
um lugar para voltar

agora
sinto que vai
se esvai
esvaindo-se de mim

um lugar
que já não tinha
nunca tive
ilusões

aqui era
lar,
doce bosta
de lar

ou aqui era
de onde
jamais sai
pequeno?

das quatro
paredes
faço seu
meu sufoco

vou embora!
já não tenho
lugar algum

e parti

me parto
até parir
um mundo
inteiro
pra onde
voltar
nunca
seja
tarde

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