Vento corre, esbarra no rosto. Uma porta, um buraco, uma janela. O convite não deixa tirar os olhos, um vão, prazer. Despedaçado.
quarta-feira, março 04, 2015
Recluso
Passar de bicicleta em frente à casa velha. Sinto a mesma sensação de outras tardes, apesar de ser meio dia. Janelas quebradas, mato abundante. A tinta seca e quebradiça. No terraço grades de cerveja e muitos cascos vazios. Poeira. Senti curiosidade se despedindo como das outras vezes. Estático no tempo, um lar se abandonou das pessoas. Havia o belo garoto de cabelos longos e lisos. Uma vez nos olhamos, quando há muito passei depressa pelos buracos da rua. Minha bicicleta não precisava de consertos, eu também não. Já não vejo mais ninguém, apenas as sobras do moço. Restos de uma vida que se repete quando resolvo tirar a bicicleta da garagem.
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