ontem tive medo da morte. estava prestes a pegar no sono quando dum sonho que transava com alguém. não entendi o susto desperto.
nas tentativas de voltar pensei coisas tão bizarras que impensáveis. e comecei levemente a sentir a sensação de morrer, de perder entes queridos, de apagar a biografia.
por que nos fazem lamentar a morte?
isso me enfraquece, me amedronta. não quero perder este corpo e o que pude ver. mas, no tardar das lamentações, estarei velho ou doente, não tenho escolha.
as coisas acabam. elas deixam de existir. dizem que isso não é um problema. mas se não é um problema, por que nos preocuparmos?
talvez porque exista uma teoria. uma teoria de que vale a pena viver o máximo que se pode, antes de desaparecer. mas viver tudo isso pode não ter lógica nem tesão. e não há nada de utópico em pensar que a vida pode ser um pouco mais agradável quando gozamos dela.
há gozos, às vezes, que também podem te levar à morte, mas aí já não é um problema. morrer ou não morrer, tanto faz.
espero da morte apenas o presente da desaparição, uma sugestão do inconsciente.
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