na passagem dos dias,
dos meses, dos anos
a falta deixa de ser
vira angústia
desemboca na rotina
quando já não me vejo
nem descrevo
apenas breves rastros
de mim mesmo
flutuam sem linguagem
pensamentos, sonhos
ou mesmo perdição
aquilo que não se escreve
e até se diz
na conversa banal
talvez o ponto seja
a ocorrência da linha
que de tantos pontos
foi de um lugar a outro
no marasmo da complacência
satisfazer-se?
desafiar-se?
cômodo incômodo
escrita desajustada
seria o tempo
inimigo real,
sabedoria geral
do instante desistente?
ainda não desisti
de escrever
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