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A oposição mantém conexão mas pretende nas forças contrárias [< > >< <>>><<<> >< < > ] uma fuga do imbróglio da resposta ou da determinação. Ontologicamente ser e estar representam a mesma premissa, mas numa angulação diferente: 90 graus. O ser existe e o estar permanece. Um é história, o outro é presença. Ambos se interrompem numa conexão perpendicular. São as esquinas, quadraturas, quinas e cantos. O fluxo da história é interrompido pelo acontecimento. E vice-versa.
ser
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Força se constitui da aceleração multiplicada pela matéria. Poderia da força apresentar algumas coleções humanas: empregá-la para tirar benefício sobre os demais. Ou, por exemplo, obrigar um ser a aplicar mais força sobre um determinado sentido, fazendo perdurar formas de ficção - pois é na insistência dos símbolos que doutrinamos o pensamento. A faca de dois gumes é autodeclarada na medida em que somos capazes de morrer e não matar, ou vice-versa. Ou aplicamos essa força sobre o corpo do outro, ou somos forçados à aplicá-la a nós mesmos. E exatamente pela previsão de que para otimizar tempo uma força deve ser empregada alcançamos a universalização da morte enquanto causa. Esta ideia, ultrapassada em algumas proposições, mas levada ao limite em outras, alinha-se com um tipo de universo estanque ao prometer um ponto de partida: se eu te mato, tu morres, desaparece. Sim, a história humana está galgada na extinção e, ao que parece, cria estratégias para se consolidar assim. Seria isso oriundo de uma provocação da permanência em alguma forma de continuidade ou de um pensamento flagrante da existência no momento em ela irrompe de sua dúvida? Ser ou não ser, eis a questão materializada no século XVII. Veja bem, há tanto caminhos que desejam respostas, como há aqueles duvidosos, que estão pretensiosamente alicerçados na interrogação enquanto sistema retórico. Se perguntar não mata qual foi o momento em que passamos a empregar a força para afirmar o contrário? Por que as instituições patriarcais e ocidentais matam tanto? Talvez alguns sistemas herméticos da ciência, alheios às teorias construtivistas, insistam em forjar uma reconstituição histórica e culturalmente impossível do corpo humano, a partir de uma necessidade de provar a supremacia humana em relação às outras espécies, por meio da evolução selecionada "naturalmente". Não há nada mais abstrato e mirabolante. Conhecemos esse princípio matemático: forjar o passado. E a contagem, apesar de infinita. também é inacabada, pois é interrompida pela morte. Quando a morte assinala a fragmentação e desaparecimento da presença constituímos, na instabilidade, uma avaliação de longo prazo, visto que não há humanos que provem a existência objetiva deste prazo. E por dois motivos: tanto porque a experiência ontológica dos humanos é aquela deixada pelos mortos quanto pelo fato de que morremos, nós, também. Inventamos, por insegurança, o tempo da humanidade, no princípio da contagem, para lidar com a história dos mortos e a nossa perspectiva de morte. Ou seja, guardamos histórias de quem não pode mais refutá-las, assim como contamos a quem não tem garantias de lembrança dos fatos. A história, infelizmente, é dos vencedores. É, então, de quem emprega força. E se isso se chama de evolução natural, talvez esteja mais próxima de uma eugenia construída em anseios de pura raça humana do que, de fato, pela experiência coletiva que provê a ética do conhecimento histórico. Se existe probabilidade de esquecermos, pois as experiências da memória são falhas, as suposições de experiências coletivas são ainda mais complexas, ainda mais quando há interesses de emprego da força para sua universalização por meio de processos hierárquicos e abstratos. A complexidade ainda se afunda quando o acontecimento se dá como uma espécie de fenômeno generalizado, mas sobre o qual a morte se debruça ou se instala historicamente. O acontecimento se dá na presença, entretanto permanece em forma de relato ou experiência coletiva quando atravessa acordos e consensos. Se, por conta disto, sua constituição é política, organiza-se segundo interesses compartilhados. E a polis, sendo ela consensual, seria a partilha sensível necessária ou supérflua à morte, segundo as relações de consenso e dissenso entre cidadãos e não-cidadãos: entre quem tem direito de existir e quem não tem. Visualizando a partilha neste âmbito sabemos que a primeira se sobrepõe à segunda pelo emprego da força. E, se necessário, pela morte. Há várias perspectivas, entretanto pensar a morte enquanto acontecimento é sempre pensá-la como algo externo, apesar de esperado.
É na expectativa que se fundamentam, também, a curiosidade e o desejo. Nosso desejo pela morte se confunde, nesse momento, quando ele culmina em ter com o outro. As ameaças de morte aos não-cidadãos na polis grega se direcionaram no seguinte sentido: na direção do outro, do estrangeiro - do bárbaro. E a história ocidental repete a mesma farsa. Mas ter com o outro não é exclusividade da aniquilação, também é parte do sexo, das relações intempestuosas de alteridade. Por isso, sexo e morte talvez simbolizem a relação criativo-destrutiva da ontologia linguística que culmina nos desejos de Eros e Thanatos. Amor dói e amor mata. Se dói, ganha. Se mata, perde. E não há amor que caiba na dor da espera irrealizável do acontecimento, logo quando o consenso é parte de uma relação impossível para a morte, já que morremos sozinhos, apesar das companhias. A morte é um acontecimento, por excelência.
Se amor, morte e sexo se relacionam ontologicamente qual seria a experiência de corpo na consciência de uma impermanência? Fugir, pois na fuga o pensamento cria a existência.
Talvez seja nosso costume de evitar um fim, buscando-o. Talvez porque não sabemos como será, talvez porque ainda temos receio de presenciar esse acontecimento.
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