não sei se de felicidade
ou de estranheza
mas um dia ri
daquele menino
que no metrô
de Brasília
dançava ao som
de alguma música
nos fones de ouvido
quantas vezes não dancei
o medo dos risos estranhos
e as ruas povoadas de gente
talvez o anonimato
um dia retorne
à memória de quem riu
se da dança o riso
retomar a pergunta
quantas bocas
se abririam na vida
sem saber ao certo
o que pode um corpo?
se toda a abstração
lhes foi negada
o riso último
dói em sua resignação
afinal, dançar é para poucos
apenas porque os poucos que dançam
são os loucos que causam risos
aos muitos que se cansaram
Nenhum comentário:
Postar um comentário