terça-feira, novembro 20, 2018

atropelado

que me amasse mais do que amei
mas de uma dor pecaminosa
que sem me conhecer, atropelasse
caminhando desatento à rua e morto
seria arauto de mais uma condenação
em tribunal de paixões anônimas

e tu ao leito de morte
quando enfim carregas a culpa
de uma existência que obrigaste
a ter em opaca sensação o corpo, só
embora perseguido por imagens conjugais
maldições, quanto tempo perturbariam o pensamento?

e se acordado enquanto dormes
pudesse inventar teus sonhos
colando de maneira absurda
coisas que nos sucedem
sem que mesmo saiba o porquê
um encontro desatento
que me levaria à morte
ou quem sabe ao amor súbito

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