quando em seco
engulo e corto
desfaço o laço
perco a atitude
agonia que atende
pelo nome de alguém
sem saber onde despejar
tudo adquirido no tempo
cansado sigo infame
com orgulho da insensatez
abrindo os poros
na sondagem de um grito
arrepio como de quem vai
ao abate, defeca escondido
o cu aberto de prazeres
pois o que me preocupa
não se aproxima mais
se o sangue se faz em gotas
caindo numa bacia abandonada
deixe-me mergulhar sozinho
na oferta dos equívocos
paga em vida
o que não levarás próprio
e sente-se aqui
mas não ao lado
como uma imagem replicada
sente-se dentro
e arranque falsas perversões
ou um pensamento fraco
sobre a impossibilidade
deixa ao romance
tuas vagas ideias de amor
quero sentir ao extremo
e não flertar em pudores
ao caráter de negação
não como autoridade
que se danem autorizações
se invado terras cercadas
e urino na relva
rego a planta dos pés
deixo o mijo escapar
respingando insanidade
para não malograr os vestígios
da disposição selvagem
à animalesca catarse
se falo em despedida
não é indo embora
que farei das palavras
a memória herdeira
de quaisquer compromissos
as calças manchadas
os pés molhados
vou-me embora
mas das águas
trago rastros no corpo
em pingos vermelhos
ora amarelos
depuro a austeridade
das decisões impetuosas
e não faço promessas
apenas escondo os arrepios
para que em mínimos detalhes
mesmo desimportantes e impossíveis
louvem-se os prazeres da fuga
a contragosto do desejo esgotado
em tua ordem vazia
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