Contraste e contradição. Coisas diferentes. Apesar do radical, uma das palavras não vive da anulação. Contraste não contradiz. Certo é que sentimentos contrastantes podem habitar uma pessoa só, porque são opostos que não se apagam. Na vida, não há ser humano que não seja contrastante. A rotina é cheia de amores, ódios, alegrias, tristezas, cansaços, disposições ... polos de um único imã. Somos antítese, vivemos da diferença. Diria até dicotomia, quando dos sentimentos complementares.
O verdadeiro problema é a contradição. E aí sejamos mais pragmáticos. Um sentimento pode ser anulado por uma ação e vice-versa. Há sentimentos contraditórios, mas eles não dividem espaço. A condição do que desdiz; do que joga fora precisa, muitas vezes, negar na realidade para existir. Percebemos quando somos contraditórios. Nem todo mundo percebe - diria que por falta de perspicácia, porque sempre, SEMPRE há provas. A possibilidade de descobrir a contradição estaria ao pé da letra: aquilo que aniquila o dizer.
Contraste nos habita, nos persegue e nos maltrata. Não há nada de excludente, mas de combatente. É isto! O contraste é o campo de batalha em plena guerra. A contradição, o exato momento quando do fim do embate. Os olhares, por exemplo, são os primeiros a levantar a bandeira branca. Entragam-se fácil à contradição, porque são cofres do cérebro; baús de sentimento. Contradizer-se é abandonar a sinceridade consigo, latente desde o início. Contradizer-se é se apossar ou, quem sabe, tornar-se posse de algo; de alguém.
Contradição machuca. Contraste é compreensível; é essencial.
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