sábado, setembro 01, 2012

Mala

Assim como despedidas, fazê-la é sufocante. Não pelo saudosismo ou nostalgia. Compactar a vida num recipiente pode ser claustrofóbico, mas não só. É quase como gerar um grande vazio de significados.

Arrumar as malas prova nossa escravidão ao materialismo. Nesses momentos a vida faz questão de se resumir a objetos, coisas imperecíveis. Liberdade inexiste naquela claustrofobia.

Organizado, o monstro te persegue nas andanças. Ele abastece, supre necessidades... Mas que necessidades mesmo? Vestir, limpar, perfumar, fotografar, acessar a internet, comer, etc. etc. etc.

Das prisões, a segurança parece-me a mais perigosa. E porque gera dependência. Desde que a materialidade surgiu vivemos num pós-humano; vivemos de sobressalências, quando sequer nos procuramos em nós mesmos.

Afinal, somos ou não somos aquilo que levamos na mala?

O apêndice já respondeu, homem-mala.

Um comentário:

  1. Falando assim parece até que tu endossas a prepotente ideia de que o homem não depende de nada para manter-se vivo. Mas eu sei que esta não é tua intenção. Só precisas ter cuidado com os olhares maldosos que porventura passem por aqui, como foi - devo confessar - o meu.
    Acontece que achar-se dentro de uma mala é, de fato, decadente. Mas precisar dela não o é. O homem é, por essência, um ser dependente. E precisamos assumir nossa incompletude. Acontece que nosso estado de dependência tem se tornado cada vez mais sintético. Outrora, a natureza. E somente ela, sem sistemas, dogmas, consumismo. Hoje, a mala e mais um milhão de apetrechos. Não estou sugerindo que retornemos ao estado selvagem. Ok, só um pouquinho, haha XD

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