Aquilo que o outro tem é
diferença a mover o relacionar-se. Não obstante, vira estopim para o
afastamento quando reconhecê-lo como um eu de experiências únicas fere o
ego do observador.
Lidar com beleza, inteligência,
vitória, sucesso, bondade e gentileza alheias pode ser arrasador. O outro passa
a incomodar porque se torna espelho acusador da insuficiência, para alguns até
da inferioridade dos próprios feitos.
Aos olhos de quem avalia, o outro é o máximo a ser batido. Isto porque nunca está bom o suficiente para igualá-lo. Alguns chamariam de inveja, um atalho simplificado para compreender a relação agressora que se estabelece com ovisdeslumbramento do belo e
do bom.
Aos olhos de quem avalia, o outro é o máximo a ser batido. Isto porque nunca está bom o suficiente para igualá-lo. Alguns chamariam de inveja, um atalho simplificado para compreender a relação agressora que se estabelece com o
O agredido é apenas o
observador. Ele não quer atacar o outro, cujo valor, por vezes, é inestimável
para si. As comparações tornam-se inevitáveis, mas sempre intrínsecas. A partir
daí surge o complexo da incapacidade.
O sentimento é de andar o tempo
inteiro numa fina corda bamba, a quilômetros de altura. Inseguro, nada do que
faz se aproxima da grandeza do outro. Cada falha reitera o feio, o ruim, a
morte. A estética da diferença escancara o fracasso de não provar seu valor.
Só que fulano não quer ser
sicrano. Não há imitação nem posse do caráter alheio, sim a tentativa de nivelar
uma satisfação inerente ao outro. Estar bem consigo mesmo (aceitar-se)
seria o principal obstáculo para enfim esquecer as comparações.
Não é de todo, mas nesta Terra
as pessoas criaram a necessidade de se comparar. Decidimos por uma organização
social que privilegia as hierarquizações. Precisa-se do melhor; precisa-se do
1º lugar e das realizações decorrentes do reconhecimento.
Ao que parece, o que te incomoda
no outro pode alavancar uma revolução dentro de ti e mover este sistema. As
comparações tiram da inércia, movimentam a engrenagem produtiva. Quem faz mais,
tem mais e é mais, mais mais mais mais... mais
feliz??????????????????????????????
Sutil ilusão. Incorre-se no
perene erro de achar que o outro está plenamente satisfeito com a vida. De
fato, pergunto: será que está? A humilhação decorrente da felicidade e segurança
alheias cega o observador. Fulano ainda não percebeu que sicrano partilha do
mesmo combustível humano: a alteridade.
Inspirar-se no outro catalisa
energias e destrói a liberdade de ser sem compromissos e obrigações. Para
funcionar, o mundo ainda exige modelos de beleza, bondade e plenitude.
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