quarta-feira, setembro 19, 2012

Busão

Minutos viram horas. Espera aflora raiva. Atraso. A saber das brincadeiras do Estado, fica pior. Carros, bicicletas, até ir a pé. Qualquer solução melhoraria. Decência não está ali, na parada.

A vida perde-se no tempo perdido. Paliativos não solucionam. Música. Leitura. Conversa. Nada de aparecer. Deus do céu, o que se faz para merecer um busão daquele?

Chegou, enfim. Não dá sequer um segundo aos que correm de longe para alcança-lo. Momento de controlar os impropérios, loucos por sabotar a tímida língua.

“Bom dia”. “Boa tarde”. “Boa noite”. Cumprimentos saem, contradizem a ira. Quase nenhum responde. Arrependido fica no abandono da sinceridade. Ah, se fossem xingamentos...

Silêncio invariável. Senta na cadeira. No vagar arranca o veículo. Olhos se voltam às janelas. Solução para esquecimento: vento... vento.

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