"Eu
vi uma barata na careca do vovô
Assim que ela me viu
Bateu asas e voou
Seu Joaquim-quim-quim
Da perna torta-ta
Dançando valsa-sa
Com a Maricota-ta."
Assim que ela me viu
Bateu asas e voou
Seu Joaquim-quim-quim
Da perna torta-ta
Dançando valsa-sa
Com a Maricota-ta."
Uma roda formada entoava as cantigas. Crianças soltas,
outras de mãos dadas, rodopiavam sem parar. Professores de olho a incentivar sutis.
Felizes momentos do olho de vidro e nariz de pica-pau, do sapo na beira do rio e
fulaninho só de cueca-ca. Mas catarse
reservavam mesmo ao pau no gato-to e
à dona Chica, que se admirou do berro que dera o coitado.
Pés pequenos ciscavam no chão, acelerando os 360 graus
quanto mais empolgados. Alguns gritinhos entusiasmados até o fim da força.
Queriam mesmo repetir a dose. Fosse à roda, sobre a corda, brincando de
elástico, qualquer oportunidade. Vozes agudas embalavam o sorriso das almas
nanicas, mudavam a roda de direção. Ninguém pretendia parar até o primeiro anuncio
do(c)ente: “acabou, hora de voltar pra sala”.
“Ah, não”, arriscavam-se os mais salientes. Cabisbaixo todo
mundo ia. A desculpa, na década de 90, era de descontar a vontade quando se chegasse
a casa. Na vizinhança, a rua era porta da roda. Almoço, sesta... lá vinham
pedidos emocionados. Aos coleguinhas recorriam os que a liberdade conquistavam.
Aquele estreito espaço virava e enchia-se de creche, roda, corda; elástico.
Cantavam para aquecer. Melhor o que viria depois.
Dos céus, viam-se pontinhos correndo loucos pelo trecho de
asfalto. Dos casebres eles se aproximavam em grupos, triscavam n’algo e
escondiam-se dos escândalos na vizinhança. Gritaria audível a quilômetros de
distância. Mais berros e todo mundo ficava comportado. Hora de mudar a brincadeira.
Os pés alvinhos perdiam dignidade do banho de mãe, esfolados no negro piso de
rua. Pontinhos minúsculos eles... entrecruzavam-se na felicidade do pega-pega,
pique-esconde, queimada. Ao finito do dia, até o sol desaparecer.
Voltavam exaustos para os retângulos cobertos por telhas de
cerâmica. Entravam quando das luzes acesas, a transbordar por quadrados envidraçados
que teimam chamar janelas. Banhados e alimentados iam todos os pontinhos dormir.
Antes de fechar os olhos, estavam conscientes do imprescindível nas cantorias.
Não havia nada melhor que uma trilha sonora capaz de abrir a porta da rua em
ciclos de tardes livres.
Nenhum comentário:
Postar um comentário