Maquina o instante. Ensaiado no espelho repetidas vezes,
chega à tentativa. Inocente engano. Insegurança
não se ensaia, nem se aprende. Atrapalhado nos falhos atos, entrega a verdade em
fragmentos pequenos. Olhos, mãos, boca, suor... Eles não foram treinados para
mentir.
Reiterar as inverdades pode ser o caminho do não abandono.
Se se revelar por completo, inclusive nas palavras, o arrependimento é maior
depois. Negado pelo não planejado, contradiz-se e fica por isso mesmo. A vítima
finge a si entender a mensagem. Profundo, ela sabe bem...
A burrice do mentiroso é se esquecer do pressuposto da
verdade, sempre ali a cutucar frases inacreditáveis. Esconderijos passageiros,
temporários. Mentiras não concebem residências fixas. Para sustentá-las o
beltrano precisa viver de mudança, de mentira à outra e outra e outra. Ao menos até que um lobo mau destrua todas. Coitados dos porquinhos!
Mas mentir também parece âmago. Não há dia em que pequenas
mentiras de vontades se façam presentes. Abandonar a proteção talvez detone convivências.
Humano, minta. Minta ou não viva humanidade. Deixe assim, deste jeito, e o tempo
há de se encarregar das meias verdades; há de se encarregar das vidas pela metade.
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