Cabelos esvoaçam perdidos numa cabeça mais ainda. Ela se esquece do espelho de propósito, não gosta de conviver com a imagem censurada. Uma ânsia pulsa em se largar na frente de todos, demonstrar algo que opiniões de boca pouco influem. Os dreads desgastados pelo fedor afastam colegas, arrumam briga com os mais próximos. Incomoda-se consigo mesma a cada palavra. Queria não representar; queria apenas tornar o banho uma atividade autônoma do incômodo.
Os trapos que usa chamam à insólita arena das relações um sermão que preferiria não ouvir, ou talvez até gostasse, dependendo do humor, da tpm. Rir da cara alheia ela ama. Acha graça dos gaiatos que se prestam ao papel idiota, papel mesmo de intrometidos, marocas. Como costuma dizer: lições entram por ouvido e saem por outro. A muita das vezes, desejava apenas que as pessoas tivessem consciência de que o ensejo acompanha cada passo. Não está ali desavisada, muito menos inocente fedorenta. A decisão é vil, podre, arrota, como falou aos pais, antes de fechar a porta e se despedir pra sempre da vida que não teve.
Pior mesmo é o sentimento de repulsa de si. Muito antes ou além das causas físicas, a necessidade de atuar enquanto o outro exige é a mais difícil, imprevista. Ela bem sabe que o único propósito das façanhas ideais é reiterar certezas do que não é palpável; certeza de um si que não habita o outro. A vista, todos físicos somos coisas apropriadas pela opinião alheia. Parecemos, não somos. Ela... bem, ela só está meio cansada. Toda a angústia recai em não ter esquecido ninguém, não ter deixado de amar ninguém, não ter se desapegado, mas ter esquecido o maldito telefone, a porcaria do e-mail, caralho a quatro (ups!). A culpa é da rotina, ela garante: suplanta desejos
Taxativas faixas de desgosto, absurdo, inundam o incosciente extremamente culpado. Guiddens a havia avisado, o vapor da locomotiva identitária estava lá: culpada sejas tu. Ontologias à parte, espumas da raiva continuam a brotar dos julgos que a questionam. A vontade de arrancar os cabelos parece sensata se revelar o que gostaria de fazer a outrem. Na opinião deles, tempo há, vontade é má. Malucos os sejam! Nunca foi obstinada como parecera na cabeça desses desavisados. Esquece-se do contato, da presença, mas de ninguém! Pena não entenderem, dela é simples desarrimo.
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