quinta-feira, maio 16, 2013

Difícil percepção

Reparou como os velhos
Vão perdendo a esperança
Com seus bichinhos de estimação e plantas?
Já viveram tudo
E sabem que a vida é bela
Reparou na inocência
Cruel das criancinhas
Com seus comentários desconcertantes?
Adivinham tudo
E sabem que a vida é bela
(Cazuza - Só as mães são felizes)

Com uma cabeça recheada de abóboras e preocupações voláteis em beira de estrada, como voltar a ser criança, como adquirir velhice? A vida é bela e passa. Ou melhor, vai passando. A cabeça fora do lugar não percebe o breve instante do encontro de olhos, de corpos; das cruzadas aleatórias. Estranhamentos com a natureza e a cidade se acumulam numa vida indiferente, de que, por si e de si, só se dará conta na reta final. Situações extremas, de consciência da própria morte.

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