que o mundo
é gigantesco
assim o vi
nas tvs, revistas
e enfim nos computadores
com os anos de vinda
a velhice me alertou:
onde estariam as imagens verdadeiras?
por que tão rápidas
angustiantes e mórbidas?
por que simplesmente
não passam por mim
e deixam o espírito em paz?
aprendi também
e o tempo me ensinou
a ignorá-las, ou tentar
e passando
sem ver o tempo
das notícias de vidas
que também passaram
mais me alienei dos signos
disfarçando o mundo
numa roda gigante
na pequena cabine
uma namorada
me sorri diletante
e quando a ouço
Yann ao piano
vejo
a cidade do alto
da ponta e do fundo
numa distância irreparável
de um mundo onde disfarcei a dor
para sentir menos
menos arrependimento
de estar só
ou de estar pouco
a insuficiência
relutante em compreender
que tudo é muito e demais
e a desgostosa onipresença
de esperar na megalomania
pelos encontros
eles jamais aconteceriam
uma dúvida cabal
se estaria feliz
noutro lugar
noutra pessoa
noutro instante
imaginando subterfúgios
de uma expectativa fabulosa
imagens que não acreditei
e me perseguem ainda hoje
com a pujante certeza
de que ninguém escolhe
onde vai estar
e de que ninguém lembra
quando se perdeu
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