Incrível como a onda vintage pode tomar teu caminho num dia qualquer,
inesperado, ainda por cima. A ida a um brechó de uma salvadorenha revelaria
prazeres antigos, de infância ludovicense mimada em casa de vó. Ah, aquelas
tardes engomadinhas, com mãe e tias a me perfumarem...
Foi na companhia de uma bocoió apaixonante e brasiliense (que contradição!
ahaha) que no subsolo de uma sala, revirando pedaços de pano, encontrei o
macacão que há anos o inconsciente me veste nos cenários absurdos de vivência
plena. Era branco, como a aura carregada a cada passo e centímetro de leveza.
Nem o tamanho acima do normal, (grande, extragrande, sei lá), muito menos a
imagem de bozo magro seriam capazer de desmotivar o apego.
Mas não nego que a dúvida que me acometeu. Era branco ou creme? Talvez meio
encardido. ahaha. Sem delongas, levei-o à lavanderia de casa. Agora no guarda-roupa
o bonito espera ansioso chegar o dia da coragem em vestir indumentária vintage.
O elemento amarelo, encontrado no mesmo dia, quando saíamos do brechó, era um pouco maior para ser
guardado em casa. Um fusca quase verde-banana surpreendeu-nos, eu e a bocoió,
na volta pra casa. Descobrimos em oficina logo em frente que o dono queria mais
do que pensei em pagar naquele dia. Ano 77, até bem conservado, o fusca amarelo
ficou lá, à mercê do primeiro amante.
Foi bem rápida a conversa com o dono. Achei engraçado o desapego à iguaria,
ganhada de algum ex-funcionário público, ou estrangeiro de embaixada qualquer?
Agora não lembro (e olha que no quadrado federal é só o que tem).
O diálogo não demorou muito, afinal, não podia levá-lo a casa e a correria do dia clamava pelo retorno. Mas fica registrada aqui a insistente vontade.
Seria mesmo engraçado andar com os amigos em coisa tão minúscula e
espalhafatosa. E isso porque desde cedo
tive contato com carro tão odiado. Até hoje posso ouvir as lamúrias de quem não
gostava do dito cujo. Puxo na memórias frases de medo e descrédito de quem
não podia sonhar com o dia em que precisasse de carro tão desvantajoso.
E, bem, fico rindo sozinho. Era aquele carro que queria, não pra mim – deste
mundo não quero nada permanentemente. O desejo foi apenas de ver em todos os
espelhos a brotar em tetos e laterais, imagens risonhas de quem passasse por
nós e, especialmente, de quem ali dentro partilharia imagens engraçadas do
fusquinha de 77. Amigos, eu, fusca, uma coisa só - toda colorida e engraçada.
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