Algumas paredes e papelões pichados avisavam, no corre-corre dos instantes transeuntes; do ônibus apressado em Brasília, capital quadrada de convívios quadrados. Um detalhe-paráfrase de Guimarães, naquela reflexão de terceira margem do rio; pura existência: "Os tempos mudavam, no devagar depressa dos tempos".
A cada returno por aquela imagem me emocionava com a sensibilidade do pichador. E ainda o fez de amarelo, que dádiva de arte pulsante, sincera! Além ou aquém, algo de mais unânime me despedaçou: uma consciência do desespero; a real consciência do tempo que passa numa frase menos visível, mais inocente. No exato e último fragmento que segue, inteligível na própria concepção do desastre, clama a expectativa do fim que nos espera. Logo ali, onde o amarelo se desfaz em azul e tudo se esconde outra vez. O olhar perde-se novamente no corre-corre dos instantes transeuntes; do ônibus apressado em Brasília, capital quadrada de convívios quadrados.
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