Descendo ouvidos abaixo
tons embalam a corrente sanguínea
linfócitos, hemácias e plaquetas
todos se balançam som adentro
Um corpo elétrico
descabido em proporções
descrente de si
remexe-se escondido da multidão
Aos olhos do concreto
pernas se trocam
sobre quatro rodas em pares
deslizando nelas a expressão mor
Dançante, cada célula
se esfacela
em pequena parcela
da ânsia renitente
Uma expressão digna
quiçá merecedora
se esvai em ilusões
de mente ambiciosa
Não está à procura
das plateias zoadentas
do fulgor aplauso
sequer olhos curiosos
Sangue, ossos
cada pedaço do sentido
querem juntos o combustível
a saciar o baile estrelado
da vida.
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