terça-feira, março 12, 2013

Combustível

Descendo ouvidos abaixo
tons embalam a corrente sanguínea
linfócitos, hemácias e plaquetas
todos se balançam som adentro

Um corpo elétrico
descabido em proporções
descrente de si
remexe-se escondido da multidão

Aos olhos do concreto
pernas se trocam
sobre quatro rodas em pares
deslizando nelas a expressão mor

Dançante, cada célula
se esfacela
em pequena parcela
da ânsia renitente

Uma expressão digna
quiçá merecedora
se esvai em ilusões
de mente ambiciosa

Não está à procura
das plateias zoadentas
do fulgor aplauso
sequer olhos curiosos

Sangue, ossos
cada pedaço do sentido
querem juntos o combustível
a saciar o baile estrelado
da vida.

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