Não há questão. Aos sopros do além me aparece um alguém que há muito desejo
meu consome. Sei que poderia cruzar o caminho dele. Mas não dessa vez.
Cansei de fazer o jogo do gato e rato. Acho que nem mais quero ser
encontrado. Há momentos que o trago do passado só afeta o distanciamento já
instaurado no coração. Quero paz.
A meu ver, o corpo que passou, acompanhado de outro tão dissimulado quanto,
não é mero mais do que corpo assíduo no imaginário. Isso percebi depois de ver outra pessoa a meu gosto.
Corpo tão saliente ou mais, naqueles cabelos loiros e olhos azuis. Nunca
imaginei tanta vontade na loirice, mas desde a primeira vez na biblioteca os
traços pontuais me gritaram atenção.
Quero-te em vontade animal, gostoso. Mas não se faça de intransigente,
porque quero todos. O gostoso vem da alma e assim continuo a fingir que nada
vejo. Não quero me apossar do que pode se apossar de mim.
Então, deixo dito, redito e dito de novo: ver nunca foi questão. Porque o visto vira não visto em
dissimulação, quando os sentidos glorificam a existência para não cruzar o
fracasso nos tortos caminhos de encontros aleatórios.
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