terça-feira, março 12, 2013

Solavanco

A grata surpresa de encontrar desconhecido nas páginas que não existem é o riso. Entre os que passam quase que grunindo gírias no maldito inglês: "asl", "f/m", "jk", agora é possível ver masturbações, mulheres peitudas e crianças fora do horário de dormir.

Engraçado mesmo é cair aleatoriamente numa sala, onde surpresa é regra e desejo também. Manifestações linguísticas não mais de um inglês insuportável se deflagram na boca de quem se assusta, gargalha ou mesmo morre de medo do que acaba de presenciar. Qualquer lugar do mundo: Paquistão, Turquia, Irlanda e um Brasil de latinos.

Abandono em segundos são comuns. Basta, para tanto, avistar a imagem alucinante ou ridícula do outro. Na corrida para outra sala enche-se de mais expetativas o solavanco da existência, quando morrem em si todos os sentidos. São instantes mínimos de busca do outro, quando interpretá-lo é quase impossível. Abandona-se a si próprio pelos contextos alheios numa janela qualquer do mundo virtual.

Entender quem tira de seus minutos de sono ou convivência tempo para sanar ânsias exaustivas em chats imagéticos na internet é tarefa dicífil, mas não impossível. Afinal, quem não está cansado das imagens mesmas de todos os dias? Sanar a curiosidade nada mais é do que coisa natural. Aventureiro gene humano não deve desistir do desafio do solavanco na web. Em alguns poucos instantes, o outro pode ser nós. É muito bom rir dos dois.

http://omegle.com/

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